Aves em movimento: o voo do galito
Complementando o post sobre o mocho-dos-banhados, publico um breve fragmento de vídeo feito pelo sempre dedicado Nédio Cerchi.
Imediatamente após registrarmos a espetacular coruja-dos-banhados nas planícies da canastra, avistamos esse raro passarinho de voo único "borboleteando" livremente por sobre o capim nativo.
Outrora comum nos estados de Minas Gerais, são paulo, Goiás e Paraná, esta espécie hoje se restringe a registros isolados na região do Parque Nacional da Serra da Canastra e em algumas localidades de Goiás, como o Parna Emas.
Ave de características únicas, O macho possui coloração alvinegra, um “V” branco no lado superior e uma faixa peitoral negra incompleta. A fêmea é parda, asas e cauda mais escuras e garganta branca (Sick 1997).
Quanto ao tamanho, é relativamente pequeno: 13,5 centímetros. Mas com os prolongamentos da cauda, chega a 19 centímetros. Aliás, é justamente na cauda que está toda a singularidade deste pássaro, as duas retrizes medianas (cada uma das penas da cauda, que orientam o voo das aves), que são muito largas e rígidas, simplesmente viram a 90 graus. Deste modo, as suas vexilas ficam verticais, assemelhando-se ao leme de um navio. A cauda, por ser extremamente negra, dá a impressão de que o galito é puxado para trás, como se ele tivesse um sobrepeso.
Na época reprodutiva, a cauda do macho torna-se mais prolongada e larga e é comum vê-lo realizando seu borboleteante voo picado, como forma de cortejo à fêmea.
Extremamente sensível a perturbações antrópicas o galito não se adapta as transformações em seu habitat natural, tendo desaparecido quase que por completo de suas áreas de ocorrencia originais. Contemplar seu voo errante pelos campos limpos e iluminados do Brasil central tornou-se privilégio de poucos aventureiros que se dispõe a percorrer os extensos os chapadões da Serra da Canastra e descobrir os tesouros naturais que por ali ainda existem.






