Blog de Alessandro Abdala

Quando a chuva é uma aliada


Normalmente chuva não combina com fotografia e observação de aves. Dias chuvosos costumam ser sinônimo de tédio e espera para os fotógrafos e observadores ansiosos por raios de sol resplandecentes. No entanto, em certas situações a chuva pode ser tornar uma boa aliada na fotografia de natureza.

Durante os dias 7 a 11 de janeiro estive guiando o companheiro de WikiAves João Sergio Souza e seu tio José Saturnino em uma expedição fotográfica pelos chapadões naturais da Serra da Canastra.

O objetivo principal da viagem era observar e fotografar a águia-cinzenta (Urubitinga coronata) já que João Sérgio é um confesso admirador das aves de rapina, em especial das grandes e poderosas águias brasileiras, como a nossa gigante do cerrado.

Na região, a águia-cinzenta ocupa um território enorme composto por campos limpos e pelas diversas formas de cerrado ainda preservado no interior e entorno do Parque Nacional da Serra da Canastra. Nossa estratégia inicial visava percorrer este território averiguando os pontos comumente mais visitados pela cinzenta. Porém, diante do mau tempo que se abateu sobre a região, com dias seguidos de chuvas intermitentes, tivemos de mudar de estratégia e voltar nossa atenção para outras espécies não menos fascinantes que habitam a Serra da Canastra.
Usar velocidades de obturador altas com 1/800 ajuda a "congelar" as gotas d´água, criando um efeito bonito, como nesta foto.

Com o excesso de chuva os bichos se tornam preguiçosos, possivelmente as penas molhadas ficam mais pesadas dificultando o vôo, além disso a oferta de alimento deve diminur (já que a maioria das presas permancem entocadas) fazendo com que as aves economizem o máximo de energia, voando somente quando estritamente necessário. Foi aí que descobrimos uma boa oportunidade de nos aproximar de bichos normalmente muito ariscos e arredios. Nos breves momentos em que a chuva diminuia ou cessava, partíamos rumo aos chapadões ilimitados da serra da canastra.
José Saturnino (Tio Maninho) e João Sérgio no Chapadão da Zagaia.

Assim encontramos com uma facilidade incomum espécies de difícil visualização como o mocho-dos-banhados (Asio flammeus) e o Urubu-rei (Sarcohamphus papa). Outras como o gavião-peneira (Elanus leucurus) galito (Alectrurus tricolor), bandoleta (Cypsnagra hirundinacea) e a cigarra-do-campo (Neutrauphis fasciata) proporcinaram momentos de alegria e bons registros fotográficos.
O mocho-dos-banhados deu um show, nos encarando com seus olhos amarelos em rasantes vagarosos e onipotentes.

Vencer as estradas escorregadias, desviando dos buracos e rompendo imensas lagoas a bordo de uma valente toyota bandeirante tornou-se uma aventura inigualável. Contemplar o mocho-dos-banhados planando sob a chuva fina e olhar de perto o colorido exuberante do urubu-rei, deixou-nos com a sensação de vivenciar uma oportunidade rara, possivel de se concretizar somente nos mais molhados dos dias que compõe a estação chuvosa na Serra da Canastra.
O clima chuvoso é ideal para explorar o efeito preto-e-branco. João Sérgio e Maninho sob a chuva incessante na Serra da Canastra.

Retornamos da aventura trazendo recordações especiais, concretizadas em belas imagens e com um desafio já traçado: encontrar a águia-cinzenta, desta vez sob a poeira fina e os ventos congelantes que assolam os chapadões do Bugre e da Zagaia no mês de julho.

Os filhotes de galito, recém saídos do ninho, descobrem a vida nos campos exuberantes da Canastra.

Com as penas encharcadas pela chuva, o gavião-de-rabo-branco permitiu uma aproximação incomum em outras épocas.

Uma boa dica para os dias chuvosos é explorar o ambiente, aproveitando os pingos de chuva para compor a fotografia e criar uma atmosfera especial.

Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada
Quando a chuva é uma aliada

Feliz Natal, e um 2012 de grandes oportunidades e sucesso!

Feliz Natal, e um 2012 de grandes oportunidades e sucesso!

Mais 43 espécies para a Serra da Canastra

Recentemente tive a satisfação de participar como co-autor de uma publicação científica que aumenta para 406 o número de espécies de aves documentadas para a região da Serra da Canastra.

A Serra da Canastra passa a ter sua lista de aves acrecidas de mais 43 espécies, com a publicação do artigo "Novos registros ornitológicos para a região da Serra da Canastra, Minas Gerais, Brasil" no número 33 da prestigiada revista científica Cotinga, de circulação internacional.

De autoria de Rafael Bessa, Alessandro Abdala, Ricardo Parrini, Guy M. Kirwan, Leonardo Pimentel e Sávio Freire Bruno, o artigo apresenta registros até então não documentados para o Parque Nacional da Serra da Canastra e região de Sacramento MG.

Até a publicação deste trabalho, a região contava com 360 espécies documentadas, fruto do trabalho de pesquisadores pioneiros como B. C. Forrester e L. F. Silveira. Com as adendas apresentadas no artigo, este número subiu para 403 espécies, o que representa quase 50% de toda avifauna conhecida para o Estado de Minas Gerais, e ainda, um acréscimo de mais de 10% para a avifauna da Serra da Canastra.

Dentre as novas espécies registradas, nove são conhecidas por realizar deslocamentos sazonais (Harpagus diodon, Pluvialis dominica, Tringa solitaria, T. flavipes, Elaenia spectabilis, E. parvirostris, Progne subis, Sporophila ardesiaca e S. hypoxantha), duas representam novos registros para sua área de ocorrência conhecida (Pardirallus sanguinolentus, Muscipipra vetula) e o restante é composto por espécies autóctones, mas que provavelmente possuem baixa densidade na região.

O artigo apresenta registros raros como o primeiro registro de Anas bahamensis para o estado de Minas Gerais e o terceiro registro documentado para o estado do beija-flor bico-reto-azul (Heliomaster furcifer).

Além disso, três das quatro fotos que ilustram o artigo são de minha autoria: H. rectirostris, D. automnalis e F. albiventer. Recentemente (outubro de 2011) registrei um macho de Sporophila hypoxanta na parte alta do Parque, o que corrobora o registro de Rafael Bessa, realizado em 2008.

Os registros descritos no artigo foram obtidos em diversas saídas a campo realizadas entre 1999 e 2010 e segue a nomenclatura científica proposta pelo CBRO.

A região da Serra da Canastra foi considerada recentemente como uma das Áreas Importantes para a Conservação das Aves no Brasil (IBA, do inglês Important Bird Areas) pela BirdLife International (IBA MG153). Essas áreas se caracterizam pela presença de um grande número de aves ameaçadas, de distribuição restrita e endêmicas. Os recentes registros de espécies regionalmente ou globalmente ameaçadas como Crax fasciolata e Scytalopus iraiensis, respectivamente, associado à inclusão de espécies endêmicas do Cerrado (Hylocryptus rectirostris) e da Mata Atlântica (Hemitriccus nidipendulus), dois hotspots mundiais, reafirmam a importância desta área como Unidades de Conservação de proteção integral e reforçam a necessidade da continuidade dos estudos ornitológicos na região.

> Leia o artigo completo

> Acesse o site da Neotropical Bird Club, que publica a revista Cotinga.

Mais 43 espécies para a Serra da Canastra
Mais 43 espécies para a Serra da Canastra
Mais 43 espécies para a Serra da Canastra

Foto Publicada na Revista Cães & Cia

Neste mês de outubro tive uma foto publicada na edição nº 389 da revista Cães & Cia, de circulação nacional.

A imagem de uma fêmea de martim-pescador-pequeno (Chloroceryle americana) ilustra uma matéria muito interessante sobre aves pescadoras. Fiz a foto na Fazenda Mumbuca, município de Sacramento MG onde reside meu irmão Leandro. Os martim-pescadores alimentam-se de pequenos peixes, que eles caçam a partir de poleiros na vegetação à beira d'água de onde observam e localizam suas presas antes de mergulhar e capturá-las com o longo e poderoso bico.

A imagem foi realizada no momento em que o martim-pescador acabara de capturar um pequeno peixe em um lago existente na propriedade e preparava-se para devorá-lo.

A edição deste mês da Cães & Cia tras diversos artigos sobre animais de estimação, ecologia, além de dicas especiais no cuidado com seu pet. Vale a pena conferir!

Foto Publicada na Revista Cães & Cia
Foto Publicada na Revista Cães & Cia

Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG

Durante os dias 08, 09 e 10 de outubro de 2011 tive o prazer de acompanhar os biólogos Wagner Nogueira, Luciano Faria, Thiago Souza e Fernando Araújo em uma expedição fotográfica e de observação de vida silvestre no entorno e interior do Parque Nacional da Serra da Canastra.

Velhos conhecidos do ambiente virtual, este passeio foi também uma oportunidade de encontrar pessoalmente pessoas com quem trocamos informações frequentemente pela internet. Especialistas em aves, o foco dos biólogos estava em encontrar espécies de difícil observação como Taoniscus nanus, Nothura minor e Micropygia schomburgkii.

O Parque acabou de sofrer uma grande queimada e ainda se recupera com a chegada das primeiras chuvas da estação. Entretanto, a ausência do capim nativo facilita a observação de espécies que usam a vegetação rasteria como esconderijo. Vimos e ouvimos Nothura minor, Taoniscos nanus e Rhynchotus rufescens ocupando o mesmo espaço e vocalizando ao mesmo tempo, caracterizando uma sitação com certeza muito rara! Wagner e Luciano, conseguiram também gravar o canto da arisca saracura-do-campo (Micropygia schomburgkii).

Outro destaque do passeio ficou por conta do aparecimento de um macho de Sporophila hypoxanta, espécie de caboclinho extremanente rara, cuja população parece encontrar-se em declínio pela perda de seu habitat natural.

Foram dias de muita ação, com encontros emocionantes como a águia-chilena (Geranoteus melanoleucos) voando baixo, o tapaculo-de-brasília (Scytalopus novacapitalis) aparecendo a meio metro de distância, o casal de papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris) cuidando de um ninho e o curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala) e a imponente mocho-dos-banhados (Asio flammeus) nos surpreendendo em inesperados encontros noturnos.

Além das aves observamos mamíferos como veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), jaratataca (Conepatus semistriatus), raposa-do-campo (Pseudalopex vetulus) e até mesmo uma mamãe tamanduá (mymercophaga tridactyla) passeando calmamente com seu filhote nas costas.

Enfim, uma aventura fantástica, recheada de lances emocionantes, como só a Serra da Canastra sabe nos proporcionar.


O papa-moscas-de-costas-cinzentas (Polystictus superciliaris) pode ser observado nas áreas de campo rupestre, com presença de solo pedregoso


O papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta) anda sempre em grupos, e é preciso estar atento para observá-los, devido ao seu diminuto tamanho

Os andorinhões são muito frequentes nas partes mais altas do parque


Nas primeiras horas do crepúsculo, é possivel encontrar espécies raras como o curiango-do-banhado (Hydropsalis anomala).


Mamãe tamanduá (Mymercophaga tricactyla) leva com carinho sua cria nas costas

Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG
Guiando biólogos pela Serra da Canastra e Sacramento MG

Foto vencedora do I Prêmio Jaguara de Fotografia 2011

Hoje tive a feliz notícia de que uma foto minha foi a venceroa do 1º Lugar no I Prêmio Jaguara de Fotografia.

O concurso divulga o universo artístico-cultural regional, promovendo a arte da Fotografia e colaborando com a carreira de artistas emergentes. A curadoria ficou por conta do produtor cultural e fotógrafo Ernani Baraldi.

A imagem vencedora retrata uma andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) fotografada às margens do Rio Grande no momento em que observava o vôo de uma abelha indígena. Essas andorinhas são bem comuns na região e estão presentes por aqui durante quasto todo o ano. Fiz a foto quando percebi a andorinha pousada sobre um tronco já apodrecido, e ao que parece, o velho troco era a morada do inseto que não parava de voar em torno dele, como que tentando afugentar a ave. Usei uma velocidade alta para congelar o movimento e tive a sorte de fazer o registro bem no momento em que a andoria parecia "olhar" para a abelha.

O Parque Náutico de Jaguara tem se destacado na região como referência na promoção de projetos culturais e fomento turístico. Enfim, uma empresa preocupada com o desenvolvimento sustentável e com a valorização do ser humano e suas expressões artísticas/sociais. A a iniciativa de se realizar I Prêmio de Fotografia só vem confirmar esse fato.

Parabéns e obrigado a toda equipe do PNJ pela bela iniciativa!

Foto  vencedora do I Prêmio Jaguara de Fotografia 2011

Um encontro ao crepúsculo

Hoje ao voltar de uma expedição a um sítio arqueológico que guarda inscrições rupestres num dos mais remotos recônditos da Serra da Canastra, acabei encontrando este tamanduá-bandeira (Mymercophaga tridactyla) levando seu filhote nas costas.

Era a hora do crepúsculo, o sol já havia se posto e praticamente não havia mais luz. O bicho apareceu de repente, cruzando a estrada bem na nossa frente.

Consegui fazer apenas uma foto, com pouca nitidez e bastante ruído, mas fiquei feliz com o resultado, pois a imagem captou bem a atmosfera crepuscular, que é o momento preferido pelo tamanduá-bandeira para deixar seu esconderido e iniciar mais uma jornada noturna em busca de formigas e cunpis, seus alimentos prediletos.

Um encontro ao crepúsculo
Um encontro ao crepúsculo
Um encontro ao crepúsculo

Bichos do meu quintal: Capivara

Ontem ao voltar do trabalho, por volta das 20:00 h, percebi uma movimentação diferente do outro lado da rua em frente a minha casa, ao aproximar para ver do que se tratava me deparei com um grupo de capivaras que pastava tranquilamente junto a uma moita de capim navalha.

Minha casa fica de frente para o Ribeirão Borá, um caudaloso curso d´água que corta a cidade de Sacramento MG, em um local onde a mata ciliar ainda está bem preservada. Tenho observado por ali inusitadas espécies de animais, como tamanduá-bandeira, paca, lontra, tatu-galinha... além de diversos tipos de aves como saracura-três-potes, jacurutu, jacuaçu, fura-barreira, soldadinho... enfim, uma infinidade de espécies que a cada dia tem revelado novas surpresas.

Agora foi a vez dos maiores roedores do mundo, as capivaras (Hydrochoerus hydrochaeris) , ao notar a presença dos "visitantes" corri em casa e peguei a máquina, ainda em tempo de fazer o registro.

Como a escuridão era total, tive que fazer o foco meio "no chute" e usar um iso bastante elevado, o que comprometeu um pouco a qualidade da imagem...
familia de capivaras fotografadas as marges do Ribeirão Borá, em frente a minha casa
Ao que parece trata-se de uma família composta por seis indivíduos, sendo dois adultos e quatro jovens... tomara que eles se estabelecam por ali!

Bichos do meu quintal: Capivara

Um blog dedicado aos pica-paus

Pica-paus constituem uma família espetacular e única de pássaros. Especialmente intrigante é o gênero Campephilus, encontrado somente nas Américas. A admiração e paixão por estas belas aves levou o biólogo Nova Yorquino Bill Benish a criar um blog dedicado exclusivamente a reunir informações sobre os pica-paus do gênero Campephilus. E Benish tem desempenhado um belo trabalho! No blog "Campephilus Woodpeckers - resources on a remarkable genus of birds", há um notável acervo sobre estes fantásticos pica-paus da América.

O gênero Campephilus, cujo significado é "amantes das larvas" está representado no Brasil por quatro espécies: pica-pau-de-barriga-preta (Campephilus leucopogon), pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos), pica-pau-de-barriga-vermelha (Campephilus rubricollis) e pica-pau-rei(Campephilus robustus). Em Sacramento podemos encontrar o pica-pau-de-topete-vermelho (Campephilus melanoleucos) e o pica-pau-rei (Campephilus robustus), que são sem dúvida duas das espécies mais exuberantes que podem ser observadas em território brasileiro.

Recentemente recebi um contato de Bill Benish solicitando permissão para publicar uma foto minha do Campephilus melanoleucus em seu blog. Senti-me honrado em contribuir com o belo trabalho de Bill e feliz com a possibilidade de divulgar Sacramento e uma espécie brasileira junto a um acervo tão bem construído como o organizado por Bill.

Fiz a foto em maio deste ano, na Fazenda Mumbuca-Sacramento MG, onde reside meu irmão Leandro. A luz natural filtrada pelas folhas das árvores e o fundo com flores silvestres desfocadas deram um tom especial a imagem, que combinou bem com as cores vibrantes do C. melanoleucos.

Além da imagem, Bill publicou também um pequeno texto, do qual segue a tradução:

"Apreciem uma das melhores fotos que eu já vi de um macho de pica-pau-de-topete-vermelho. É difícil imaginar cores, detalhes e iluminação melhores do que o que vemos aqui! Esta foto foi tirada em Sacramento MG - Brasil por Alesandro Abdala, um designer, fotógrafo e escritor publicado. Eu a postei aqui com sua permissão. Para ver mais das fotografias surpreendentemente belas de Alessandro, visite seu site aqui: www.alessandroabdala.com"

Confira o blog Campephilus Woodpeckers: http://www.cwoodpeckers.blogspot.com

Um blog dedicado aos pica-paus

A cachoeira e o gavião

A Cachoeira do Ernesto, além de ser um dos pontos turísticos mais interessantes de Sacramento constitui-se num ótimo local para a observação de aves.

Localiza-se no entorno do histórico povoado do Desemboque, numa área que ainda guarda grandes extensões de cerrado e campos nativos que são o habitat natural de espécies raras e ameaçadas de extinção.

Ao longo da trilha que leva à cachoeira já observei aves pouco comuns como o papa-moscas-do-campo (Culicivora caudacuta), tico-tico-de-máscara-negra (Coryphaspiza melanotis), campainha-azul (Porphyrospiza caerulescens), soldadinho (Antilophia galeata), entre outros.

Recentemente, acompanhado do biólogo Prof. Carlos Alberto Cerchi, pernoitei na Fazenda Olhos d´água que dá acesso à cachoeira. Acordamos bem cedinho e fomos mergulhar nas águas frias e cristalinas do ribeirão João Inácio, afluente do rio Araguari. Logo no início da trilha, de onde se pode avistar a parte alta da cachoeira, encontramos um gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis) pousado imponente sobre uma árvore de pau-santo (Kielmeyera coriacea).

Embora seja uma espécie comum, trata-se de um majestoso gavião, e é sempre bom vê-lo livre nos campos gerais do interior do Brasil. Do alto da árvore ele inspencionava toda a paisagem, soberano e confiante como os gaviões sabem ser. Fiz o registro aproveitando a composição com a cachoeira ao fundo, o que conferiu maior profundidade à foto, além de dar uma idéia do habitat da espécie e da maneira como ela se comporta, porque não dizer, como uma verdadeira "guardiã" daquele mágico cenário.

A cachoeira e o gavião
A cachoeira e o gavião
A cachoeira e o gavião

Feliz Natal da Revista Destaque IN

A Revista Destaque In tem muita história para contar. Afinal são 15 anos de circulação ininterrupta trazendo conteúdos de formação cultural para Sacramento e região.

História, literatura, política e ecologia são temas recorrentes em suas páginas, fruto da colaboração de escritores, jornalistas, anunciantes e assinantes que tornam possível a manutenção desse projeto cujo principal objetivo é a inclusão cultural.

Aos amigos, anunciantes e assinantes nosso muito obrigado pela parceria em 2010.

Que sejamos sempre DESTAQUE! E que em 2011 continuemos a escrever juntos a nossa História.

Um Natal de Paz e muitas conquistas no Ano Novo!

Berto, Alessandro, Maria e Ana Lúcia.
Equipe da Revista Destaque IN

Feliz Natal da Revista Destaque IN

Mais um trabalho publicado

Neste final de ano consegui aprovar e publicar mais um projeto, um calendário para o ano de 2011 desenvolvido para a Câmara Municipal de Sacramento MG, cujo tema retratado é o histórico povoado de Desemboque Minas Gerais.

O trabalho traz 12 imagens que mosram o patrimônio histórico, as belezas naturais e a gente de Desemboque.

Além das imagens, textos descrevem um pouco da história surreal desse importante núcleo de povoação do Brasil Central.

O objetivo do trabalho é divulgar e tornar conhecida a história e a riqueza natural que representa Desemboque, além de valorizar aspectos de sua cultura e sua gente. Dessa forma, espero que essa publicação contribuia com a formação de uma conciência de maior valorização e respeito pelos nossos patrimônios históricos, culturais e naturais.

Veja a íntegra do Calendário Desemboque 2011 aqui:
http://www.alessandroabdala.com/site/galeria/calend%C3%A1rio-desemboque-...

Mais um trabalho publicado

Paisagens para além da visão

Fechar os olhos e viajar pelas lembranças da infância em uma fazenda do interior de Minas Gerais, reviver os monentos de deslumbramento e emoção em uma excursão pelo interior da mata-atlântica, ou mesmo especular como seria embrenhar-se pelas infindáveis florestas do norte do Brasil.

Essa experiência é possivel e está ao alcance de um clique, com o lançamento da Rádio Paisagem, projeto idealizado e desenvolvido por Guto Carvalho, um dos mais ativos promotores do birdwatching no Brasil.

A rádio permite conhecer a paisagem sonora dos diversos biomas brasileiros e até mesmo compor nossas próprias paisagens, baseadas em nossa memória e experiência de vida.

Os cantos das aves fazem parte da paisagem sonora de muitos locais, e certamente completam a experiência visual. Aliados aos outros ruídos da mata compõem um rol de sons que fazem parte de nossa memória perceptiva. Essa experiência está muito bem descrita no próprio site da rádio:

"A memória se constrói a partir de pequenas lembranças, detalhes da vida de cada um de nós, que unidos, se concretizam como memória nacional. O som dos silêncios do Brasil afora é desse tipo de matéria sutil, que constitui o sonho e que se embrenha na alma. O canto do sabia, do joão-de-barro, tico-tico e pardal, o canto triste do jaó, do inambu e da araponga. de alguma maneira estão guardados lá no fundo das lembranças junto com o cheirinho do café, o cheiro da terra molhada e tantas outras. Essa riqueza sonora se reflete na literatura, na música, poesia, na web...

A Rádio-paisagem oferece uma recriação sensível das sonoridades regionais a partir de um conjunto discreto de sons, como o canto das aves, o ruído do vento, cachoeira, riacho, etc..; disponibiliza assim uma forma atraente e contemporânea de resgate e co-criação dessa memória para ser ouvida, apreciada.

Rádio Paisagem é uma criação de Guto Carvalho, programação bonacode.
Texto Biomas: Francisco Mallet - Dedoverde
Agradecimentos: Bob Planqué, Jeremy Min"

A foto que escolhi para ilustrar o post retrata o amanhecer no cerrado, a experiência perceptiva se torna completa ouvindo a paisagem sonora deste bioma

Bela iniciativa! Vale a pena conhecer: http://www.radiopaisagem.com.br

Paisagens para além da visão

Que em 2011 possamos continuar voando juntos. E cada vez mais alto!

Chegou a hora de fazer um balanço do ano que passou e projetar novos desafios para o novo período que se inicia.

2010 foi proveitoso. Muitas aves, muitos bichos, paisagens extraordinárias... Enfim, proximidade com a natureza traduzida nas imagens que pudemos registrar durante o ano.

Aos amigos, clientes e parceiros, desejamos os melhores sentimentos neste natal e que em 2011 possamos continuar voando juntos... e cada vez mais alto!

Para além dos clichês de se desejar as boas festas, este é mais um ano em que não resisto a transcrever as palavras ditas por Kevin Arnold em um episódio de Anos Incríveis, um dos melhores seriados de todos os tempos. As palavras de Kevin convidam à reflexão e traduzem bem o sentimento que invariavelmente costumo experimentar nessa época do ano.

"Naquele ano o Natal deixou de significar para mim enfeites e presentes, e começou a significar recordações. No começo fiquei um pouco desapontado, mas aprendi que a memória é uma maneira de guardar as coisas que amamos, as coisas que somos, as coisas que não queremos perder nunca. E o que aprendi foi que, num mundo que muda tão depressa, o melhor que podemos fazer é desejar aos outros um Feliz Natal. E muita sorte."

Que em 2011 possamos continuar voando juntos. E cada vez mais alto!

O momento certo para o clique

A fotografia de natureza é um jogo que não se controla – exige tempo, paciência e sensibilidade. Mas não é só isso, para se produzir fotos realmente boas é necessário além de dedicação e estudo, uma boa dose de sorte.

Perseverança também é fundamental. Por vezes saímos a campo e não voltamos com nada além de registros razoáveis. Em outras oportunidades, as situações acontecem e é necessario estarmos sintonizados para aproveitar os momentos raros que se nos apresentam.

Certas aves, plantas e animais, possuem peculiaridades que só observamos em situações muitos específicas e raras. Para tornar nossas saídas mais produtivas é preciso conhecer o ambiente, integrar-se ao assunto e entender os hábitos dos animais que pretendemos fotograr.

O vídeo abaixo, produzido por Joe Berger e indicado pelo twitter do AvistarBR , explana de forma didática e bem humorada essa relação entre o fotógrafo/observador e a natureza. Ele mostra como é preciso estar atento aos detalhes surpreendentes que seres aparentemente "sem graça" podem esconder.

Abaixo, duas fotos que exemplificam momentos especiais protagonizados por aves de nossa fauna:

Um macho de tico-tico-rei (Coryphospingus cucullatus) exibindo seu exuberante topete vermelho, (apesar de sua beleza o tico-tico-rei, não é uma ave que costuma chamar muita atenção, principalmente por causa de seu comportamento discreto e solitário. O macho só exibe completamente seu belo topete quando está excitado ou ao cantar). Para fazer a foto, aproveitei-me do momento em que o tico-tico se exibia para a fêmea, durante sua atividade de cortejo.

Muita observação e paciência foram os instrumentos utilizados para captar o momento em que a andorinha-do-rio (Tachycineta albiventer) observava com curiosidade uma espécie de besouro que rondava um tronco apodrecido sobre as águas do Rio Grande, em que ela estava pousada.

Sair a campo, este é o segredo. Estar fotografando em contato com a natureza o maior tempo possível, só assim podemos aumentar as nossas chances de encontrar cenas verdadeiramente mágicas. E quando isso acontecer, estejamos preparados para realizar o clique certo, no momento exato.

O momento certo para o clique
O momento certo para o clique

Cobras pelo caminho

Em minhas andanças em busca de imagens de natureza as vezes acabo me deparando com algumas serpentes. Hoje mesmo, ao fotografar um bem-te-vi-rajado (Myiodynastes maculatus) acabei levando um baita susto quando percebi pendurada em uma árvore, a alguns palmos do meu pescoço, uma enorme e assustadora víbora, que depois de me refazer do susto, e examiná-la com mais calma, constatei tratar-se de uma inofensiva jibóia (Boa constrictor).

Mas embora a jibóia não seja uma serpente venenosa e com sua índole fleumática não ofereça perigo algum ao ser humano, já me deparei com répteis bem mais agressivos e ameaçadores.

Recentemente fotografei uma espécie de jararaca, que diferente de suas congêneres, ocorre em áreas secas de cerrado e acredito que se trate da espécie Brothops pauloensis. A jararaca é uma cobra extremamente agressiva e responsável pela maior parte dos acidentes com ofídios no Brasil.

Outra figurinha sempre presente na região é a temida cascavel (Crotalus terrificus) que embora seja de temperamento um pouco mais paciente que a jararaca, possui um veneno poderosíssimo que afeta o sistema nervoso de suas vítimas, podendo facilmente levar uma pessoa a morte.

Portanto fica a dica, a fotografia de natureza, principalmente de aves, acaba nos expondo ao ambiente onde vivem serpentes e outros animais peçonhentos. Andar com cuidado na mata e ter os olhos atentos não somente nas aves, mas também no local onde pisamos é a melhor maneira de se previnir de possíveis acidentes.

Ao encontrar uma serpente, não entre em pânico, nem faça movimentos bruscos, lembre-se: somos nós que estamos invadindo o ambiente delas, apenas afaste-se calmamente, respeitando o espaço do animal.

O uso de perneiras também é uma boa dica para garantir mais segurança, são práticas, baratas e podem ser encontradas em qualquer casa agropecuária.

Cobras pelo caminho
Cobras pelo caminho
Cobras pelo caminho
Cobras pelo caminho

A águia mais ameaçada do Brasil

Por diversas vezes eu já havia avistado cruzando os céus de Sacramento uma ave imponente, de cor cinza-chumbo e porte avantajado. Entretanto nunca com a possibilidade de realizar mais que um simples registro fotográfico onde mal podia se distinguir a silhueta da ave.

Desta vez porém, foi diferente. Acompanhado pelo biólogo e professor Berto Cerchi, depois de visitarmos a vila histórica do Desemboque, seguimos rumo a uma das mais antigas fazendas do oeste mineiro, a Fazenda Nova Suécia, localizada nos limites do Parque Nacional da Serra da Canastra.

No caminho, povoado por carcarás, gaviões-caboclos e carijós e até um urubu-rei (Sarcoramphus papa) comentávamos sobre a ocorrência naquela região de uma das águias mais raras e ameaçadas do Brasil atualmente, a águia-cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus).

Momentos depois, chegando à fazenda, atravessávamos uma mata extensa, com árvores centenárias cujas copas sobressaiam por sobre o dossel e permitiam visualizar a imensidão dos campos gerais que caracterizam o município de Sacramento, no Triângulo Mineiro. Em uma árvore mais alta, com os galhos superiores já ressequidos percebemos duas aves grandes, pousadas lado a lado. Ao examinar com os binóculos quase não acreditamos... era um casal de águia-cinzenta!

A águia-cinzenta é uma espécie mundialmente ameaçada, e em nosso país é considerada em perigo de extinção pelo IBAMA. Uma das maiores águias brasileiras, podendo chegar a medir 85cm de altura e atingir 2 metros de envergadura, é também, infelizmente, uma das mais raras em toda a América do Sul, devido a sua área de ocorrência, o cerrado, que lamentavelmente vem sendo completamente tomada pela agroindústria.

De temperamento forte, a águia-cinzenta observa a movimentação do alto das árvores de onde caça animais de médio e pequeno porte como tatus, quatis, gambás, serpentes e ratos silvestres.

Geralmente vista solitária, esta águia forma um casal apenas na época de reprodução, que vai de julho a novembro... é uma águia naturalmente rara, difícil de ser vista até mesmo em conhecidas áreas de ocorrência, e bem ali pousado na nossa frente estava um casal desse magnífico accipitrídeo!

A adrenalina tomou conta de nós, ao nos aproximarmos, o que eu julgo ser o macho vocalizava com veemência, emitindo um canto agudo e lamuriante. Fotografei o casal tomado pela emoção, por alguns minutos abaixei a câmera e contemplei com o binóculo todos os detalhes e toda a exuberância destes poderosos falconiformes habitantes dos campos cerrados brasileiros, antes que o casal levantasse vôo exibindo toda sua majestosidade.

Acompanhei o vôo com um misto de reverencia e admiração, até que as silhuetas das aves se misturassem com a linha difusa do horizonte.

Como esta espécie não costuma aparecer em casais, e no local onde as avistamos existe uma mata de porte considerável, acredito que o casal pode estar se reproduzindo nas imediações. Pretendo retornar ao local com o intuito de localizar um possível ninho.

Enfim, retornamos para casa realizados e com as esperanças renovadas pela constatação de que a vida ainda luta em se perpetuar nas encostas surpreendentes da Serra da Canastra.

A águia mais ameaçada do Brasil

Fotografando o tatu-peba

Neste domingo visitei uma área de cerrado próxima a Fazenda Mumbuca, município de Sacramento MG, onde reside meu irmão Leandro.

Fotografei aves e plantas típicas do cerrado, mas o melhor do dia ficou por conta do encontro com uma simpática fêmea de tatu-peba (Euphractus sexcinctus). O tatu-peba é uma das onze espécies de tatu que ocorrem em terrítorio brasileiro. Animal solitário, ocupa campos, cerrados e bordas de floresta onde escava túneis para se esconder. Ao contrário de muitas outras espécies de tatus, esta freqüentemente reutiliza suas tocas. O tatu-peba tem a visão relativamente pouco desenvolvida, mas possui um bom olfato. Ao perceber a minha presença, ele logo tratou de correr e se esconder em uma toca próxima.

Para fazer a foto, posicionei-me rente ao chão, e permaneci deitado atrás de um cupim.

Em fotografia de natureza, é sempre melhor você se colocar no mesmo plano em que o motivo fotografado, assim a foto fica invariavelmente melhor. Fotos tiradas de cima pra baixo passam aquela idéia amadora, de quem que não quis se esforçar muito para fazer a foto, simplesmente enquadrou a primeira cena que viu e bateu a foto. Ficando na altura do chão você também melhora o plano de fundo, que fica distante e mais homogêneo, além de conferir uma atmosfera de maior intimidade à fotografia.

Deitado no chão, você se apresenta menos ameaçador, os bichos ficam menos desconfiados e aos poucos vão se aproximando. Foi o que aconteceu, deitado escondido atrás do cumpim esperei por alguns minutos, até que o tatu calmamente foi saindo da toca e veio se aproximando, permitindo ótimos cliques.

Fica portanto a dica, em fotografia de natureza não basta ter a sorte de encontrar o animal pretendido. É preciso muita paciência e alguns macetes para capturar imagens realmente inspiradoras.

Fotografando o tatu-peba
Fotografando o tatu-peba
Fotografando o tatu-peba

Aves em movimento: o voo do galito

Complementando o post sobre o mocho-dos-banhados, publico um breve fragmento de vídeo feito pelo sempre dedicado Nédio Cerchi.

Imediatamente após registrarmos a espetacular coruja-dos-banhados nas planícies da canastra, avistamos esse raro passarinho de voo único "borboleteando" livremente por sobre o capim nativo.

Outrora comum nos estados de Minas Gerais, são paulo, Goiás e Paraná, esta espécie hoje se restringe a registros isolados na região do Parque Nacional da Serra da Canastra e em algumas localidades de Goiás, como o Parna Emas.

Ave de características únicas, O macho possui coloração alvinegra, um “V” branco no lado superior e uma faixa peitoral negra incompleta. A fêmea é parda, asas e cauda mais escuras e garganta branca (Sick 1997).

Quanto ao tamanho, é relativamente pequeno: 13,5 centímetros. Mas com os prolongamentos da cauda, chega a 19 centímetros. Aliás, é justamente na cauda que está toda a singularidade deste pássaro, as duas retrizes medianas (cada uma das penas da cauda, que orientam o voo das aves), que são muito largas e rígidas, simplesmente viram a 90 graus. Deste modo, as suas vexilas ficam verticais, assemelhando-se ao leme de um navio. A cauda, por ser extremamente negra, dá a impressão de que o galito é puxado para trás, como se ele tivesse um sobrepeso.

Na época reprodutiva, a cauda do macho torna-se mais prolongada e larga e é comum vê-lo realizando seu borboleteante voo picado, como forma de cortejo à fêmea.

Extremamente sensível a perturbações antrópicas o galito não se adapta as transformações em seu habitat natural, tendo desaparecido quase que por completo de suas áreas de ocorrencia originais. Contemplar seu voo errante pelos campos limpos e iluminados do Brasil central tornou-se privilégio de poucos aventureiros que se dispõe a percorrer os extensos os chapadões da Serra da Canastra e descobrir os tesouros naturais que por ali ainda existem.

Aves em movimento: o voo do galito

Bichos do meu quintal: mico-estrela

Sacramento é uma cidade singular. Apesar de estar inserida numa região que sofre constante pressão agropecuária, principalmente do setor sucroalcoleiro, ainda tem conseguido resistir e manter algumas características de sua formação florestal original.

Mesmo na área urbana, ainda é possivel encontrar espaços verdes que servem de abrigo para várias espécias da fauna e flora do cerrado.

Sacramento é uma das poucas cidades brasileiras a contar com 100% de esgoto tratado, e pode se orgulhar de ter as aguás do caudaloso Ribeirão Borá que corta o perímetro urbando, totalmente livres de poluentes domésticos e industriais.

Como moro às margens do Ribeirão Borá, numa área ainda relativamente preservada, costumo receber visitas inusitadas e as vezes surpreendentes.

Diversas espécies de aves são comuns de se observar no entorno de minha residência, algumas raras como o fura-barreira (hylocryptus rectirostris) e o coleiro-do-brejo (sporophila collaris), em certa ocasião avistei até mesmo um jacuaçu (Penelope obscura) pousado bem em frente a janela do meu quarto.

Quanto aos mamíferos, capivaras, tatus, tamanduás, e até mesmo uma suçuarana (Puma concolor) já foram avistados aqui nas redondezas.

Hoje pela manhã recebemos a visita de um bando de micos-estrela (Callithrix penicillata) que vive na mata ciliar preservada ao longo do Ribeirão Borá.

Eram oito indivíduos entre adultos e filhotes. Vieram se alimentrar dos frutos de uma embaúba que fica bem em frente a minha casa. Observei durante um bom tempo o coportamento social do grupo, que se revezava no cuidado com os indivíduos mais novos e mantinha uma sentinela sempre alerta, emitindo a característica vocalização aguda do ponto mais alto da árvore. Pude fazer boas fotos, das quais compartilho algumas neste post.

Bichos do meu quintal: mico-estrela
Bichos do meu quintal: mico-estrela
Bichos do meu quintal: mico-estrela
Bichos do meu quintal: mico-estrela